Sinopse: a idéia dessa ficção científica (
distrito 9) nasceu da impossibilidade (por motivos financeiros) de Peter Jackson levar adiante o projeto "
Halo", baseado no game de mesmo nome da Microsoft. Coincidentemente, o diretor de "
District 9" é o sulafricano
Neill Blomkamp, que assinou comerciais de TV para o jogo em questão. Jackson faz as vezes de produtor.
Uma
nave espacial chega ao planeta Terra e escolhe
Joanesburgo, na África do Sul, como local de parada. Após semanas planando sobre a cidade, um equipe "humana" resolve averiguar quem ou o que há dentro da espaço-nave: milhares de alienígenas desnutridos e carecendo de cuidados. Humanamente, é oferecido auxílio aos novos amigos, que passam a viver em solo terreno, em um lugar reservado denominado Distrito 9. O que inicialmente é uma área de socilização e adaptação para os visitantes, com o passar dos anos se torna um gueto. Contudo, com uma diferença, negros e brancos são unânimes - esses
camarões não são benvindos.
Distrito 9 é disparado o filme mais impactante da temporada
2009 e dificilmente será superado. Toda essa frenética
bajulação repleta de adjetivos que a web propaga sobre o filme é realmente verdade. Primeiramente, é um filme de ficção científica com um
recorte sociológico interessantíssimo. Ele trata os
alienígenas como membros inferiores da sociedade, estabelecendo um certo paralelo com o racismo, a favelização e a exclusão social.
Entretanto o aspecto
diferencial da produção são os efeitos visuais.
Em Distrito 9 os efeitos soam orgânicos e funcionais, a ponto de não
conseguir notá-los ou mesmo distinguir o que é ou não efeito. Perceba nas conversas entre os humanos e alienígenas, não parece que o ator está conversando com algo que não está ali. Imagina-se então que o alienígena é um outro ator vestindo um figurino, quando "
vrupttt", o alien faz um movimento humanamente impossível de ser realizado. Seu cérebro lhe envia a mensagem - é realmente um efeito - mas você não consegue acreditar. O mérito desse impecável trabalho de pós-produção é da
Weta Digital, de
Peter Jackson, que também assina a produção do longa, responsável pelos efeitos da
Trilogia O Senhor dos Anéis.
O ponto mais fraco é o roteiro, que segue a
fórmula, mocinhos pra cá, bandidos pra lá e um herói tentando se encontrar ao enfrentar as próprias limitações. Como filme de estréia, o diretor
Neill Blomkamp, optou em não arriscar narrativamente. O que para alguns críticos soou como covardia, para mim foi uma cautela razoável.
Cinema é negócio, portanto, é preciso vender os ingressos e quem sabe no futuro fazer uma grande obra de arte. Blomkamp fez um longa apreciável, com efeitos visuais hipnotizantes e que deixou uma janela aberta para
continuação. Quem sabe no próximo capítulo, já que os efeitos não surtirão o mesmo impacto, o roteiro seja mais aprofundado, pois campo para isso tem. Mas não custa lembrar da
Síndrome de Matrix - muitos efeitos para acobertar a
falta de direção.